 | 70% dos executivos estão acima do peso | | 06/01/2010 - Musculação - (Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 12)(Alexandre Staut) | | | | Uma pesquisa realizada entre 800 executivos, dos quais 80% são homens, mostrou que 25% têm alto risco de enfarte - ou seja, estão acima da média brasileira, que é de 10%. Um dos principais motivos do alto índice vem do fato de que 70% desses profissionais estão acima do peso.
Danielli Haddad Syllos Dezen, cardiologista idealizadora da pesquisa e coordenadora do centro de check-up do hospital Sírio Libanês, diz que a rotina conturbada e o trabalho em ritmo frenético e massacrante são os principais motivos da obesidade e, em conseqüência, dos riscos de enfarte.
Segundo a especialista, o estresse é um dos fatores mais consideráveis quando se fala em enfarte entre homens com mais de 45 anos. "O trabalho em excesso faz com que as pessoas fiquem ansiosas. Assim, não se lembram de reservar tempo para a prática de atividades físicas e para uma alimentação balanceada", destaca. Ela conta que a correria a que estão submetidos acarreta o aumento do peso, o colesterol e, indiretamente, ocasiona maior risco de hipertensão, diabetes e morte por enfarte.
A pesquisa mostra que, acima da faixa dos 45 anos, as doenças cardiovasculares mais comuns nas amostras são a hipertensão, que apareceu em 32% dos executivos (contra 30% na população brasileira em geral ) e colesterol alto, com 50% (contra 30% na população). "A obesidade, que aparece em 70% dos executivos (contra 14% da população em geral), vem do fato de os executivos não dispensarem tempo para uma alimentação balanceada, assim como tranqüilidade nos momentos de se alimentar. Além disso, eles não têm tempo para atividades físicas", destaca a cardiologista.
Encontros são vilões
Dos 800 executivos que participaram da pesquisa, apenas 70% aderiram a um programa de vida saudável de acordo com as indicações médicas. "Apesar da informação a que têm acesso muitos não se dão conta da importância de uma vida saudável", pondera Danielli. A especialista observa que, além do estresse diário a que são submetidos, os encontros corporativos representam outro vilão na vida dos executivos. "Nestes encontros, muito recorrentes, muitas vezes comem e bebem além da conta."
Valdir Macedo de Abreu, diretor da mineradora CBE, é um dos pacientes de Danielli selecionados para a pesquisa. Com 59 anos, é diabético e há três faz check-up com regularidade Não consegue, porém, seguir o tratamento por causa da rotina. "Viajo muito e tenho muitos almoços e jantares com empresários. Se consigo caminhar em parques e em esteiras de hotéis, não me controlo durante as refeições", admite. "O tratamento me conscientizou, mas vejo que às vezes se torna impraticável seguir algumas regras."
Alguns empresários, porém, observa a médica, mudaram os hábitos de vida radicalmente após as consultas. Roberto Barbeto, de 54 anos, diretor da metalúrgica Unicrom, por exemplo, conta que passou a dar a importância devida a sua alimentação. "Nunca tive qualquer problema de saúde. Fui ao médico mais para prevenção", diz. "Quando vou a recepções com empresários, não abuso dos canapés e das bebidas alcoólicas." Ele conta que, após as primeiras consultas, passou a fazer exercícios físicos diários, além de praticar tênis duas vezes por semana.
Se a avaliação cardiológica de tempos em tempos é muito importante, principalmente, em homens acima de 40 anos e em mulheres na fase do climatério - período em que aumentam os índices de enfarte -, a consulta aos médicos deve ser antecipada quando o executivo tem histórico familiar de enfarto ou morte súbita (principalmente em parentes de primeiro grau) pais ou irmãos com aumento do colesterol sintomas como falta de ar, palpitações e dores no peito tomadas de pressão freqüentemente acima de 135x90 mmHg tabagismo diabete doença cardíaca na infância ou sopro cardíaco ou se apresenta sobrepeso ou obesidade.
"A avaliação cardiológica de rotina e o acompanhamento são obrigatórios para aqueles que já detectaram alterações como colesterol alto, hipertensão, diabéticos e para quem já sofreu enfarto", destaca a cardiologista. Tais doenças não têm cura, porém, podem ser controladas. "O não-controle destes índices pode levar a complicações graves, como acidente vascular cerebral e enfarto, o que afeta de forma drástica a qualidade de vida das pessoas."
Muitas empresas já aderiram a programas de check-up justamente pelos índices apresentados de risco cardiovascular em executivos. No entanto, o trabalho, para ser efetivo, não pode parar. "Há uma extrema necessidade das empresas planejarem programas para o bem-estar, como a realização de ginásticas laborais e intervalos nas atividades para o descanso", afirma a especialista.
Dentre os fatores de risco analisados, o único que apresenta índice menor do que a população geral é o tabagismo. Apenas 10% de executivos fumam, contra 18% da população brasileira. "Isso se deve às campanhas contra o tabagismo, tão difundidas hoje em dia na mídia", observa Danielli. | | | | |  | LINKS INTERESSANTES | Clique numa opção abaixo para acessar o respectivo web site | | |